Sim, trata-se do título de um filme de culto, protagonizado pela acção em pessoa, Chuck Norris, cuja barba é feita de pura destruição. Aplicado ao futebol, falamos daqueles jogadores que estariam, à priori, destinados a grandes vôos mas que, subitamente, caíram como patos abatidos por um caçador que deixa a mulher carente, de madrugada, para ir largar chumbo.
Por vezes basta uma lesão na pior altura, um frango infeliz, um arroto na tromba do mister, ou ter um affair com a filha do presidente para um jogador cair em desgraça. Vou salientar um caso em particular, cuja verdadeira razão para o infortúnio desportivo desconheço. Pior. Nem me ralo.

Extremo direito de grande rapidez, quer de pernas quer de execução, o homónimo do ex-capitão do barça era um jogador com um futuro aparentemente brilhante.
Assim sendo, após uma brilhante época na cidade do lis transferiu-se para o país vizinho, para alinhar pelo Sevilha. Acontece que os jovens, por vezes, perdem-se, terminando em tristes pacotes de leite. É certo e sabido que o vinho e as rameiras são mais baratas no país vizinho. A experiência correu mal, e Bakero voltou para Portugal, onde ainda jogou no Marítimo e no Braga, seguindo-se o Salgueiros e agora, o Bragança. Triste fado o deste extremo que chegou a fazer lembrar mitos como Vítor Vieira e Calila.
Parte II: One hit wonders
O seu nome é Zé. Nunca ninguém ouviu falar dele. Entra em campo a 15 minutos do final de uma partida que empatada em pleno Estádio da Luz. Na direita, finta dois defesas estafados, varia para o centro, tenta o remate, o contacto da chuteira com o esférico não é o adequado, propiciando ao mesmo um efeito raro que atraiçoa o guarda-redes, excessivamente confiante devido ao espesso bigode, que muito másculo o faz sentir. É golo. Zé está nas nuvens. Mas toda a gente sabe que as nuvens são água condensada, incapaz de suportar um ser humano. Zé cai durante 4 minutos, apenas para terminar esborrachado numa estrada perto de Sines.
A história de Zé serve de exemplo para muitos atletas que subiram alto sem pára-quedas. Exemplos seguem-se.
Sabry
Em pleno jogo da taça UEFA, o Benfica defrontava o PAOK, e a defesa encarnava entrava em pânico quando a bola chegava aos pés de um senhor. De gola subida e conduzindo a bola junto ao pé esquerdo, o internacional egípcio Sabry era um jogador imprevisível, perigosíssimo e com duas gengivas, cada uma com um basto número de dentes.

Há jogadores que sofrem de problemas de adaptação. O mínimo que se pode dizer de Sabry é que sofre do inverso, ou seja, de problemas de desadaptação. O processo tornou-se tradição: Chegava como titular ao clube, fazia furor, apenas para começar a perder a chama até o acabarmos por ver sentado no banco de suplentes. Começou em grande, no Benfica. Desceu uns degraus, para jogar no Marítimo, e acabou na Amadora, onde já nem é titular.
Uma queda gradual, mas nem por isso menos dolorosa.
Formoso
Um pé esquerdo que é um mimo. É a primeira coisa que vem à cabeça de grande parte dos adeptos de futebol, quando pensam em António José Faria Formoso. Pode não ser exactamente a palavra mimo.

Pode-se mesmo chegar ao ponto de comparar Formoso no lado esquerdo do Gil Vicente com Beckham no lado direito do Manchester. Dos lados opostos a mesma comparação poderia ser feita, com Giggs e Carlitos.
Proveniente do Infesta, chegou a Barcelos um perfeito desconhecido. No entanto, deu um pontapé rumo ao estrelato, tendo sido anunciada regularmente a sua transferência para a Luz. Nada disso aconteceu. Ao invés seguiu para Braga para, em seguida, a terra se abrir e o engolir. Nunca mais ninguém o viu nos grandes palcos do nosso futebol.
Triste, mas assim é o futebol. Acordas para tomar o pequeno almoço e dás por ti em pleno crepúsculo. Pior! Os cereais estão moles.
Na retina fica um lance fabuloso (de entre os muitos golos de belo efeito que marcou): Formoso marca, de livre directo e de uma distância considerável, um fabuloso golo ao ângulo. No entanto, o árbitro ordena a repetição. Impassível, Formoso volta a colocar a bola exactamente no mesmo local, para de seguida a rematar exactamente do mesmo modo, vendo-a entrar exactamente no mesmo local onde havia entrado há instantes. Pura e simplesmente magistral!
Ivo Damas
A história da ascensão e queda deste jovem extremo conta-se numa dúzia de linhas.
Num atípico jogo para a Taça de Portugal, o irreverente Ivo marca 3 golos ao Futebol Clube do Porto, que no entanto foram insuficientes para bater os azuis e brancos, que triunfaram por 4-3. Ivo poderia afirmar que trocaria o hat-trick pela vitória do seu Maia, mas provavelmente estaria a mentir. Essa exibição levou-o para Alvalade, com um contrato de 7 anos.
Gostaria agora de continuar a narrar a história de Damas, que no seguimento lógico do que vinha a relatar, seria um belo conto de um jovem que vinga num grande do nosso futebol, é feliz e casa com uma modelo de tetas magníficas. No entanto, a história praticamente acaba aqui, pois nunca mais se ouviu falar no jogador. Não vou dizer que não desse um filme, pois hoje em dia quase tudo dá para fazer um filme. No entanto, posso dizer que não dava um grande filme. Talvez uma curta metragem.
Marcos
Chegou a Portugal aos 20 anos, proveniente das divisões distritais brasileiras, para ajudar o Rio Ave a subir para a 1ª divisão. Objectivo cumprido com Marcos a afirmar-se como um dos esteios da defesa.

Foi então emprestado ao Sporting, onde também não conseguiu confirmar as boas indicações dadas no Rio Ave. A queda em desgraça culminou, ironicamente, com a maior manifestação de amor pelo futebol alguma vez testemunhada pelos adeptos leoninos: em pleno jogo da taça UEFA, frente aos noruegueses do Viking, Marcos embrulhou-se, inexplicavelmente, sozinho e sem protecção com o esférico em plena grande área, dando origem ao penalti do 3-0 que confirmaria a escandalosa eliminação do Sporting.