Friday, March 23, 2007

Cultura Geral e os Nomes

Fizemos uma sondagem completíssima a um jogador aleatório do Felgueiras, sobre qual seria a capital da Austrália. Ele pensou muito e disse Sidney. Errado!

Outra sondagem completíssima, desta vez em Faro, e a resposta foi Melbourne. Errado.

Invariavelmente, todos os clubes questionados davam uma resposta errada.

Até que chegamos a Vila do Conde e, numa sondagem completíssima, o jogador aleatório respondeu Camberra. Certo!

Está bem que o jogador inquirido estava apenas a chamar o seu colega, homónimo da capital australiana, para o ajudar a responder. No entanto, isso não invalida o facto do Rio Ave ter ganho o prémio para o clube mais culto do futebol nacional.



Situação caricata em Setúbal

Instado e revelar qual a contratação mais sonante que iriam efectuar nessa época, o treinador do clube diz: “Aziz!”. Estupefacto, o jornalista apenas consegue responder: “Não, mas também não é preciso, pois neste quadro escreve-se com marcador!”.

Apenas uma graçola seca para quebrar a tensão.

Tuesday, March 20, 2007

Merdolazzi? - Concurso de Piores Nomes

Desde o início dos tempos, mais propriamente desde o primeiro homem, que há nomes. Isto deve-se à ineficácia de tratar pessoas por “oh tu aí!” “Quem, eu?” “Não, aquele neandertal que está a dançar sapateado antes da invenção do sapato!”.

O primeiro homem chamava-se Adão. Com uma estreia dessas, não me surpreende que as coisas tenham descambado desta forma.

Certo dia perguntaram na rua pelo antigo avançado boavisteiro: “Conhece Bertolazzi?”, ao qual o sujeito respondeu: “Epá, eu não sou homem de queijos. Prefiro paio.”


Queria agora aproveitar para salutar a decisão do antigo guarda-redes guineense do Moreirense, em mudar o nome pelo qual era conhecido no futebol português. É que no início da época 97-98, o dono das redes em Moreira de Cónegos (na altura a disputar a liga de honra) dava pelo nome de Crodonilson… Feliz a iluminação divina que o fez reduzir essa denominação para um simples e simpático Nilson. No entanto, perdeu no efeito-susto.


RATOEIRA TÁCTICA NÚMERO 1: O "EFEITO-SUSTO"

Um vasto leque de vantagens psicológicas podem advir de se possuír um nome intimidador.



Quando se fala em maus nomes, há um que salta logo à vista… trata-se do antigo avançado belenense, o brasileiro Monga. Qualquer comentário a este nome perderia o brilho perante o nome em si, logo vou limitar-me a dizer o nome mais uma vez… Monga.

Existem, também, nomes com uma agressividade digna de uma pena de codorniz. Arrisco afirmar que esses nunca serão levados a sério (dica: evitar o sufixo inho e nomes foneticamente questionáveis), como os seguintes exemplos:

o Paixão (sentimentos bons dão nomes maus… dá-se preferência a um “vingança” ou um “dor de hemorróidas”);

o Kokoshvili (qualquer nome que comece por cocó está automaticamente desqualificado);

o Tulipa (os nome de flores são de evitar, salvo raras excepções como “cacto” ou “flor murcha pelo poder maligno”);

o Chico Nelo (Nelo é um nome que por si só tira a veia guerreira a qualquer coisa com que esteja ligado. Exemplo: Nelo Rambo…);

o Nelinho (depois do que eu disse sobre Nelo, acho que nada mais há a dizer aqui, a não ser rezar para que não saia o filme “Nelinho Implacável”…)


Um reparo final: nomes estrangeiros, principalmente africanos ou de leste, com letras pouco usuais (caso de W ou Y), salvo raras excepções (Kokoshvili sendo a mais gritante), dão sempre boas alcunhas futebolísticas. Poucos são os defesas que se atreverão a cruzar no trajecto de Mandla Zwane em direcção à baliza.

Nomes brasileiros têm uma deficiência quase crónica na componente ameaçadora. De Juninhos, Nénés e Juniores não reza a história como jogadores temíveis.


Factos e Figuras: Nos Tentáculos de Lula

Despontou para o estrelato no Famalicão. Ao lado de Ben Hur constituiu uma dupla que fez furor, sendo parte nuclear da defesa mais batida do campeonato, com uns auspiciosos 72 golos concedidos. Aparentemente a atenuante de ter Luís Vasco atrás, entre os postes, permitiu-lhe manter alta a sua cotação em Portugal.

Enquanto o seu anterior clube se afundava pelos escalões secundários, Lula esteve a treinar em Alvalade. No entanto, devido ao infame caso “Luís Manuel” , o Sporting ficou impedido de inscrever jogadores, tendo o central regressado ao Brasil durante as duas épocas seguintes, tendo sido posteriormente chamado de volta a território luso, desta vez para equipar pelo Leiria.

Com um poderio físico invejável e uma desgovernada gadelha outonal, Lula aparentava aos seus adversários esse mesmo gigante invertebrado que não cedia perante nomes na marcação individual. De salientar o famoso desafio em pleno San Siro em que Lula necessitou de utilizar todos os seus tentáculos para deter George Weah, numa gloriosa vitória portista por 3-2.

Os elogios eram frequentes por parte de diversos analistas desportivos. «É um jogador polivalente, quer a central, quer a central de marcação!». Após uma agradável época em Leiria (17 jogos e 3 golos), fez as malas e rumou a sul, ao Restelo, onde novamente formou grande dupla, tendo esta direito a destaque devido ao volume capilar conjunto de ambos os centrais: Lula e Paulo Madeira. Com tanto cabelo à sua frente, não era de estranhar que Ivkovic por vezes não visse a bola partir e acabasse mal batido.

De Belém passou para o Porto, numa célebre razia que o clube das Antas fez à defesa do Belenenses: Lula, Fernando Mendes e Neves. No Porto, apesar de estranha assiduidade, perdeu o brilho, a alegria de jogar, e o bigode.

Monday, March 12, 2007

Introdução

Antes de mais, um parêntesis:

(


Agora que já tirei isto do caminho, posso passar a explicar o título desta obra.

Na realidade, este livro não é bem um romance futebolístico. É meramente futebolístico. Mas se o catalogasse de apenas futebolístico, os homens adeptos de futebol seriam os únicos interessados. Não que sejam poucos, eu é que sou uma verejeira capitalista. Com o título de romance como apêndice, estou segudo que algumas senhoras, - Leonor Pinhão excluída - talvez o leiam.

Mas a categorização por mim dada a esta obra, um romance, não pode ser acusada de total ausência de sentido. Senão, notemos: quantas pessoas por esse Portugal fora não relembram com intensa nostalgia as solarengas tardes em que, por entre uns quantos nogats 3/100, viam as fantásticas exibições de Ewerton - no caldeirão dos Barreiros ou através do televisor - sempre com o seu estimado boné, a manter acesa a chama europeia Maritimista? Para demasiados apreciadores do jogo da bola, recordações como esta dão autênticos romances, com momentos de alegria e confraternização com um próximo anónimo contrastados com sentimentos de profunda tristeza e uivos indecifráveis aos céus.

Se, no topo de tudo isto, adicionarmos o facto de que os guarda-redes são constantemente valorizados pelos seus singulares golpes de rins, então as tardes na Madeira extrapolam o romance em direcção do épico. Surpresos por esta afirmação vinda do nada? Um verdadeiro connosseur do nosso futebol seguramente não ficaria. É que Ewerton Machado Joenisch era igualmente famoso pela sua qualidade e pelo facto de jogar sem o baço e sem um rim. Agora pergunto eu ao pseudo-adepto do guardião: Quão valorizadas ficaram as suas exibições, após considerados os mais recentes desenvolvimentos? Será que ficará memorizado para sempre como Ewerton, o redes do fantástico golpe de rim?

Tomando a liberdade de citar um inexistente comentário de Gabriel Alves, aquando de uma fabulosa defesa deste brasileiro a um remate de Sérgio Lavos:
Eeeeeeewerton, 1,86 metros, proveniente do futebol brasileiro, na madeira desde a temporada 87/88, leva todos os dias as crianças a escola antes de ir para o treino e tem um dos dentes da frente com a raiz morta, mas tal situação não lhe prejudica o mastigar. Tem ainda a categoria suficiente para possuir o mais impressionante golpe de uni-rim do futebol luso!

Prosseguindo e largando de uma vez por todas o adjectivo romântico, dado ser suicídio comercial tentar fazer concorrência aos livros da Sabrina, com as tuas constantes evocações do carnudo músculo do amor, o título de “A Ratoeira Táctica”, ao contrário assunto precedente, é facilmente explicável. Para bem da minha sanidade mental, e dada o constante uso do título, vou passar a designá-lo por “RT”.

Não estou a falar dos arranjos de Marcello Lippi na Juventus, com as constantes trocas de Nedved e Zambrotta nas laterais ofensivas. Nem de David Ginola, extremo esquerdo de categoria mundial, possuidor de um pé direito mortífero, se usado para o mal. Muito menos de um rato-de-área como Oleg Salenko, capaz de andar desaparecido durante toda uma carreira para surgir num jogo contra os Camarões e satisfazer a sua gula de golos*.

Toda e qualquer “RT” referida ao longo desta obra enquadra-se exclusivamente no âmbito nacional. Irei também referir diversos jogadores que passearam a sua classe pelos nossos relvados, famosos por possuírem a relva mais verde e com menos bicho - mesmo tendo em consideração a reles qualidade da cal, causadora de um intenso e duradouro ardôr a qualquer jogador que ousasse fazer um carrinho em cima de qualquer linha.

É de atletas como Roberto Matute que vou escrever. Porquê Matute? Não tem grande história em Portugal, pensa o comum adepto de futebol. Umas temporadas aceitáveis em Chaves, outra em Belém, e a inevitável queda no esquecimento… Errado!!! São jogadores como ele os mais profundos injustiçados do futebol português, e com esta obra eu quero emendar tamanho crime. Por não reconhecer mérito a Matute, o leitor deverá também proceder a um mea culpa, lendo este livro com uma recém adquirida humildade futebolística. Não tem de quê.

Passo a explicar, numa incrível viagem à longínqua época de 97/98:

Certo domingo, dia de jogo, José Romão - então treinador do Desportivo de Chaves - escalava a equipa para uma difícil deslocação a Vila do Conde (onde cintilavam artistas como Quinzinho, Sérgio China, e um Nelo ao qual o aproximar da reforma não retirava pujança), a dúvida surgia… usar ou não a “RT”? Para os mais esquecidos, a equipa transmontana era muito mais do que aquele famoso tridente formado por Milinkovic – Sabou – Dani Diaz. Muitos dos bons resultados devem-se à chamada - e perdoem-me a repetição, mas quero que esta expressão fique bem memorizada na cabeça dos leitores - “RT”.

Era também algo mais do que a operária e firme linha de quatro defesas, que gelava vez após vez as bancadas do Municipal de Chaves com entradas que enviavam os avançados contrários para o estaleiro durante meses a fio, apesar desse quarteto ter mérito:
Putnik, polivalente e outrora melhor jogador da Liga Fantástica Record; Paulo Alexandre, o eterno capitão e digno sucessor de outro mito, Manuel Correia; Quim Machado, uma referência para qualquer aspirante a lateral direito; e Parfait, que ficou na mente de todos não pela qualidade, mas pelo seu belo exercício capilar, a fazer lembrar o camaronês Makanaky.

Seguramente que a grande maioria está já farta de ler sobre ela, sem saber que, no final de contas, é a “RT”. Acompanhem-me. Nada mais elementar e óbvio, mas no entanto de uma genialidade e de uma eficácia letais, ao alcance de uma clarividência selecta. Que um desafio de futebol nos apresenta 11 atletas por equipa, está nas regras do jogo. Ora fora os 4 defesas e o tridente do Chaves, sobram 4 jogadores que não podem ficar no anonimato. Um, como não poderia deixar de ser, era o guarda redes. Luís Vasco nunca se deixou abater pelos 8 golos sofridos na Luz ao serviço do Famalicão – tal afirmação não se pode extender ao seu companheiro de equipa na altura, o defesa Celestino, autor de 2 dos tentos de belo efeito nessa infame noite -, e que foi para Chaves com a delicada tarefa de fazer olvidar Baston.

E ficam a sobrar agora 3, que convenientemente formaram uma das mais belas “RT” de que há memoria:
Vítor Vieira tinha no flanco direito um mundo a seus pés, como era seu apanágio por qualquer uma das dezenas de símbolos que representou. Depois aparecia Matute, Roberto Matute, ponta-de-lança espanhol dono de uma capacidade motora que perdia de vista a média. José Romão aplicava uma táctica muito comum no exército de terra, mais propriamente nos comandos, fazendo de Roberto um camaleão futebolístico, camuflado entre os defesas. Fazia isto pois sabia ter no avançado um ser demasiado poderoso para um defesa comum – táctica não aplicável a defesas de estampa física bizarra, como Jaap Stam, Tanta ou mesmo Dinis -, logo levava sempre dois, às vezes mesmo três defesas atrás de si, naquele que ficou conhecido como o “movimento de centrifugação de defesas de Roberto Matute”. Tudo isto para quê? Estou certo que os mais atentos já perceberam que falta o 11º e derradeiro jogador, que aproveitaria todos os pontos antecedentes para entrar disparado na grande área, fuzilando o guarda-redes adversário em qualquer tipo de clemência.

Infelizmente para as gentes de trás-os-montes em geral e para Zé Romão em particular, aqui entrou a gralha… é que Etienne N’Tsunda, apesar de ser um tecnicista cujos raides e deambulações não lineares punham qualquer defesa num estado de polvorosa gritante, nunca havia sido um finalizador, como demonstravam os 28 jogos e 2 golos na época anterior.



São estas nuances, consideradas insignificantes para uns, e que chegam a passar despercebidas para muitos outros, que ditam o fado de demasiadas equipas: tão fácilmente as erguem ao patamar europeu como as rebaixam para as cercanias da incómoda linha de água. São pequenos detalhes que diferenciam a genialidade da mediania. Etienne foi uma dessas nuances numa teoricamente brilhante “RT”.

Porventura acabo de revelar um dos mais bem guardados segredos da saudosa Primeira Divisão. Não posso, no entanto, quedar-me por aqui. Sinto uma necessidade altruísta, quase que um chamamento divino exigindo-me que preste homenagem outros tantos jogadores que, tal como N’Tsunda ou Matute, não podem cair no eterno poço do esquecimento, mesmo jamais terem sido recordados.

É esta a motivação que me mantém sentado e me dá forcas para escrever. Talvez seja este o propósito maior da minha vida, qual Robin Hood furtando aos financeiramente abastecidos…

Porque será que Hassan e Paco Fortes retiveram todo o mérito dum Farense europeu? Será que atletas como Djukic ou Paixao não constituíram outra “RT”, mas não lhes foi dado créditos a colher, enquanto Hassan Nader fez as malas para a Luz e o catalão assinou um novo e engrossado contrato com o emblema algarvio? Situações como esta não podem passar incólumes, sem que o comum adepto de futebol, que aprecia a evolução do esférico pelo tapete verde, tenha conhecimento e que a necessária consagração seja atribuída aos atletas em questão.

Assim sendo, esta obra não é um romance, é sim um agrupado de murais, só que em papel, que agradecem e tributam alguns dos jogadores que passaram pelo futebol nacional e aos quais não foram prestadas as honras que porventura mereciam.

No entanto, e com o intuito de se destacar das demais, esta obra vai além das simples, mas brilhantes, “RTs”.
Focando-me nos anos 90 do futebol nacional, destacarei aqueles que se distinguiram, por todos os géneros de razões, como os mais exóticos jogadores dessa mágica década do nosso futebol. Mágica porquê? Pergunta o leitor. Por ora, deixarei os textos e imagens responder a essa questão, regressando à mesma em altura atempada.

Finalmente, a lei e o bom senso incutem-me a necessidade de destacar que todos e quaisquer relatos aqui narrados nada têm a ver com a realidade, à excepção das fotografias dos atletas e de alguns dados estatísticos.

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*Alusão óbvia ao jogo Rússia vs. Camarões, no campeonato do mundo USA’94, em que Oleg Salenko marcou nada menos do que 5 golos, ultrapassando o antigo recorde de Butragueño, 4.